O termo científico para designar esta condição é “Dislipidemia”.


Neste post comentaremos alguns pontos sobre as dislipidemias e a importância do seu tratamento para a protecção da saúde cardiovascular e metabólica.


1) Classificação Atualizada


No sangue existem principalmente três tipos de gorduras que podem ser medidas: o LDL-colesterol (LDL-c, ou colesterol mau, como é conhecido popularmente), o HDL-colesterol (HDL-c, ou colesterol bom), e os triglicerídeos. As dislipidemias se manifestam quando há uma alteração nos níveis considerados normais para estes tipos de gorduras (lipídeos) no sangue.


Estes podem se classificar em quatro tipos a depender dos lipídeos alterados:

  1. Hipercolesterolemia isolada: Elevação isolada do LDL-c. 

  2. Hipertrigliceridemia isolada: Elevação isolada dos triglicérides.

  3. Hiperlipidemia mista: Elevação simultânea do LDL-c e dos triglicérides.

  4. Redução isolada do HDL-c.

Entre estes lipídeos, o mais associado com o risco cardiovascular é o LDL-c (ou colesterol “mau”), porque se deposita nas paredes dos vasos sanguíneos, formando placas de colesterol, e aumentando o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidentes vasculares cerebrais. Por outro lado, o HDL-c é chamado de colesterol bom, porque capta o excesso de colesterol que fica depositado nas paredes dos vasos e o leva de volta para o fígado, onde será metabolizado, transformado e eliminado pelo intestino.



2) Diagnóstico e novas metas de controle


O diagnóstico das dislipidemias é possível através da medição dos valores séricos do perfil de lipídico, de preferência em jejum de 8 horas.


As atualizações recomendam medir, além do perfil de colesterol clássico (HDL-c, LDL-c, colesterol total, triglicerídeos), o não-HDL (colesterol total menos o HDL-c) e a apolipoproteína B (ApoB) pelo menos uma vez na vida após os 18 anos de idade.


Estes controles são importantes especialmente em indivíduos com diabetes, obesidade ou hipertrigliceridemia, pois o cálculo do LDL-c isolado pode ser menos preciso e subestimar o risco cardiovascular. Em adultos, é recomendado uma medição anual, e a depender dos resultados, os controles podem se espaçar ou aproximar, segundo os valores encontrados.

Também é importante estimar o risco cardiovascular do indivíduo para estabelecer metas de controle e tratamento. O risco cardiovascular significa a probabilidade de acontecer um evento adverso nos próximos anos relacionado à dislipidemia, como infarto ou AVC. Os profissionais de saúde podem calcular este risco utilizando ferramentas como escores prognósticos padronizados.


3) Riscos, Complicações e a Abordagem ao Longo da Vida

A elevação crônica dos níveis de colesterol, especialmente LDL-c, causa uma resposta inflamatória que culmina na formação da placa de gordura (placa aterosclerótica) que obstrui a parede do vaso sanguíneo, e que ao longo  prazo, causa problemas para a saúde cardiovascular, aumentando o risco de infarto de miocardio, acidente vascular cerebral, e doença arterial periférica, e inclusive morte por outros eventos cardiovasculares. 



4) Opções de tratamento: medicamentos, mudança de estilo de vida e estratégias combinadas

Todo tratamento inicia-se com mudanças de estilo de vida, principalmente cuidados com a nutrição e atividade física regular, pois são estas atitudes as que garantem adopção de um estilo de vida saudável e melhoram os efeitos dos medicamentos específicos.

Para indivíduos com risco cardiovascular baixo ou intermediário, uma dieta equilibrada e o exercício aeróbico regular, alternado com musculação, podem ser as únicas medidas necessárias para controle. 

Em outros casos, há necessidade de associar medicamentos que atuam especificamente sobre os níveis de colesterol para sua redução. A primeira linha de remédios é o grupo conhecido como “estatinas” (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina), as quais são classificadas pela sua potência em reduzir o colesterol. Representam a terapia inicial padrão de escolha.

Outros fármacos, como ezetimiba, ômega-3 e, mais recentemente, o ácido bempedoico, são opções para associação e combinação de medicamentos, que oferecem maiores reduções em pacientes em que é preciso um controle mais rigoroso, como os que já sofreram problemas cardiovasculares. 

Outro grupo de medicamentos conhecidos como “fibratos” (ciprofibrato, fenofibrato), são utilizados principalmente para o controle das hipertrigliceridemias intensas, em alguns indivíduos que têm indicação. 


Considerações finais

As dislipidemias são condições silenciosas. Ir ao médico para fazer exames de rotina é a única maneira segura de descobrir essas alterações antes que provoquem complicações graves. 

O tratamento moderno baseia-se em todos os casos em uma combinação de medidas dietéticas, promoção de um estilo de vida saudável e medicamentos. 

O médico clínico avalia seu risco cardiovascular de forma individualizada, considerando seu histórico familiar, idade e outros fatores, para poder traçar uma estratégia personalizada, combinando ajustes no estilo de vida com medicamentos que protegem ativamente sua saúde cardiovascular.


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FONTE: Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, Santos RD, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq. Bras. Cardiol. 2025;122(9):e20250640.

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